16 de jul de 2015

Tons de cinza | O grafite


Demorei muito tempo para fazer essa postagem, falar sobre grafite é difícil por que preciso abordar muitos pontos e da forma mais clara possível e não sei se vou consegui fazer isso. Faz muito tempo que estou trabalhando nesse texto, espero que tenha ficado bom. De agora em diante, mesmo que demore mais tempo para fazer novas postagens, vou trabalhar nelas como trabalho nos desenhos, com muito esmero.

Peço desculpas se boa parte do texto está superficial, é possível escrever um livro robusto apenas falando sobre grafite, então não vou me aprofundar muito. Vou falar sobre o grafite, mas também vou falar sobre os materiais/acessórios necessários para se trabalhar com esse material fantástico.

Nem comecem a reclamar, nessa postagem não falarei sobre nenhuma técnica que utiliza grafite, a postagem ficou gigantesca, mesmo sem isso.

Agora, sem mais delongas, vamos aos estudos.

A mina de grafite

A primeira mina de grafita foi encontrada em 1564, em Borrowdale, Inglaterra e até 1779 a grafita foi considerada uma variação do chumbo, sua cor cinza chumbo brilhante ajudou muito nesse equívoco. Foi Karl Wilhelm Scheele, químico, que descobriu que a grafita não era chumbo, mas sim carbono cristalizado.

Pedra de Grafita
http://quimicaensinada.blogspot.com.br/2011/12/
grafite-o-que-torna-esta-pedra-tao.htm



Em 1789, o alemão Abraham G. Werner, geólogo, deu o nome grafite ao material, devido a seu emprego na escrita. Mas o equívoco de comparação com o chumbo perdura até os dias atuais, principalmente nos países de língua inglesa, onde o grafite ainda é chamado de lead, chumbo em inglês, o lápis também é chamado de lápis de chumbo.

Grafite moído
A partir do fim do século XVIII, Conté, Faber e Hartmuth, fabricantes de lápis e materiais de arte, iniciaram quase que simultaneamente o processo de mistura de grafite moído e argila. Com esse processo eles dão início a produção do que seria os lápis modernos e passam a fornecer lápis com minas que possuem diferentes graus de dureza para artistas e entusiastas do mundo todo.
Argila colorida
https://atelierdamonica.wordpress.com/tag/argila-de-bola/

Criando um lápis

Curiosidade: Com uma conferida no Dicionário Aurélio, encontramos as seguintes definições:
    lápis [Do it. lapis < lat. lapis, idis, 'pedra'.]
    Substantivo masculino de dois números.
    1. Estilete de grafita envolvido em madeira, cilíndrico ou sextavado, para escrever ou desenhar.

Agora que você já sabe um pouco mais sobre o descobrimento do grafite, vamos entender como os lápis são feitos.
  1. Primeiro retira-se uma lâmina do bloco de madeira cedro (madeira de alta qualidade). 
  2. Essa lâmina é sulcada, ou seja, são feitas diversas “valas” na madeira onde, posteriormente serão encaixadas as minas (tubos) de grafite. 
  3. Após a inserção das minas nos sulcos, uma segunda lâmina é sulcada, recebe uma fina camada de cola e é encaixada à outra lâmina base. 
  4. A finalização se dá com o torneamento do lápis, ou seja, todos os lápis são separados e moldados para o formato que conhecemos, sextavados ou arredondados, comuns ou grandes. 
  5. O acabamento se dá com a pintura do lápis, a inserção dos dados que identificam o fabricante, o modelo ou a família a que o lápis pertence, o grau de dureza da mina, o código de barras e o arremate, que pode ser feito inserindo-se uma virola com borracha ou apenas abaulando a extremidade oposta à ponta.
Encontrei esse vídeo que mostra como são feitos os lápis BIC Evolution. Confiram a seguir:


Graus de maciez

Como foi dito anteriormente, depois do descobrimento do grafite, descobriu-se que era possível dar graus de dureza maiores ou menores aos lápis, graças ao acréscimo de argila ao grafite moído em menores ou maiores quantidades.

Os principais graus de dureza e maciez de um lápis são:

http://www.starfountainpen.com.br/mostrarartigo.asp?codi=39 (editada)
  • As letras H (hardness – dureza) ou F (fine – fino¹) impressas nos lápis, identificam minas duras, ou seja, lápis que possuem quantidade maior de argila em sua composição.  
  • As letras B (blackness – negrume) impressas nos lápis, identificam minas macias, ou seja, lápis que possuem quantidade menor de argila em sua composição.
¹ Minas mais duras produzem pontas mais finas e resistentes.

Quanto maior a numeração, maior será o grau de dureza ou maciez do lápis.

O lápis HB é o meio termo entre macio (escuro) e duro (claro), ou seja, possui quantidades iguais de argila e de grafite. Mas isso varia de marca para marca, o lápis HB da Koh-I-Noor possui grafite mais duro (claro) que o lápis HB (n.º 2) da BIC que é mais macio.

Quando friccionamos o grafite contra o papel, a superfície áspera do papel lixa o grafite, fazendo com que esse material libere pequenas quantidades de pó. Esse pó se aloja superficialmente nas microscópicas cavidades do papel e assim se faz o traço.

Diversas podem ser a técnicas empregadas no trabalho com o grafite, as vezes apenas com traços, rabiscos, outras vezes com manchas esfumaçadas com algodão. Mesmo assim, alguns artistas plásticos não valorizam o uso de materiais como esfuminhos e similares (cotonetes, panos de algodão, feltros e a própria superfície do dedo – a digital), por isso a variação de dureza da mina é tão importante. Ela permite que o artista faça diferentes tons de cinza, sem que seja necessário esfumar o grafite.

Curiosidade: Curiosidade: O famoso lápis número 2 “em tese é o lápis de mina HB”. Em tese, por que cada marca de lápis trabalha com uma mina de grafite e com um grau de dureza diferente da outra. O número 2 impresso no corpo do lápis, descreve a espessura da mina que o lápis comporta, assim como as lapiseiras de espessuras que variam de 0.3 mm a 5.6 mm. O “lápis número 2” é muito utilizado (solicitado) como material escolar. Se você quiser conhecer um lápis HB profissional e entender como ele funciona e porque ele é tão famoso, procure um das linhas profissionais das marcas Koh-I-Noor, Faber Castell e Staedtler, dentre outras.

A mesma matéria prima, diferentes formas de aplicação

O grafite pode ser adquirido nos seguintes formatos:
  • Pó [a]
  • Lápis
  • Barras [b]
  • Minas (para lapiseiras)[c]
  • Lápis integral (d)
Já que vamos trabalhar com grafite, conheça quais os acessórios que você precisa ter para fazer isso.

Materiais básicos

  • Lápis de grafite graduado (recomendo comprar as graduações: 2H, HB, 2B, 4B e 8B);
  • Borracha de PVC (confira a postagem sobre borrachas);
  • Limpa tipos (confira a postagem sobre borrachas);
  • Papel especial para materiais secos (texturizado).

Acessórios \ Acabamento

  • Escova ou pincel (usado para limpar o papel e a mesa, de preferência que tenha cerdas grandes);
  • Extensor de lápis (muito útil, quando o lápis está próximo do fim) – OPCIONAL;
  • Estilete (2) e apontador de minas (1 e imagem de apontador a seguir);
  • Esfuminho (duas variações de tamanho);
  • Cotonetes ou algodão (de preferência de boa qualidade, para não perder a forma);
  • Pincel de cerda de pelo de porco (para esfumar);
  • Verniz fixador;
  • Lixa (pode ser de unha);
  • Ralador de minas/barras de grafite – OPCIONAL;
  • Réguas, gabaritos e afins (4).

Esfuminhos - tubos de papel enrolado.
Apontado profissional, para lápis e mina.

Outros

Luva "plástica" ou folha de papel (para proteger o desenho do contato com a mão);
Pastas (para armazenar ou proteger o material);
Clips móveis (3);
Prancheta;
Estojo com divisória.

Suporte

Além da qualidade dos lápis e dos materiais que irá adquirir para trabalhar com grafite, é muito importante  levar em conta a qualidade do suporte que será utilizado para realizar o desenho. Pois essa escolha, influenciará na qualidade final do seu trabalho.

Pode não parecer, contudo, independente da espessura do papel, sua superfície não é lisa mas sim rugosa. E o que diferencia os papeis é justamente isso, a profundidade dessa textura/rugosidade ou a forma como ela é criada.



Atenção! 
  • A textura do bloco de papel Canson Aquarela de 300g não é boa para desenho, apesar de ser rugosa, ela não valoriza trabalhos feitos com grafite ou materiais secos, isso não acontece com o Bloco Canson Montval 300g, sua textura é como a do papel para desenho artístico, contudo, mais porosa.
  • Não citei o papeis para desenho com pastel seco, eles são muito caros, mas também são ótimas opções.
  • Papeis das linhas: Croquis, Layout e Bristol também podem ser utilizados. Nunca fiz teste com esses papeis, suas especificações os encaixam na categoria de papeis para impressão.
  • Nunca testei outras marcas de papel conhecidas, os da Canson são baratos e são muito bons. Existem marcas paralelas que possuem boa relação de custo benefício, a Kalunga vende um papel para desenho bom e barato, confira clicando aqui.
  • Até hoje, trabalhei apenas com lápis das marcas Faber Castell, Koh-I-Noor e recentemente, Staedtler e gosto de ambas. Não conheço outras marcas, por isso nada posso falar a respeito delas..
Em uma próxima postagem falarei sobre algumas técnicas de desenho úteis para se utilizar com o s materiais citados.

Por hoje é só pessoal, na próxima postem tem mais. Até breve!

4 comentários:

  1. Eita, que pesquisa bacana e extensa! Estou curiosa pra entrar na parte das técnicas. Embora não seja bem minha praia as técnicas com minas de grafite, estou interessada no que você tem pra mostrar, pois acho lindo desenho com grafite. :D

    Seu texto foi muito bem elaborado, gostei do seu esmero, mas se me permite uma pequena crítica, quando você aponta como referência outros posts do blog que podem ser importantes pra esse (por exemplo o das borrachas, que é citado umas duas vezes) seria bom você linkar pra gente. :) Confesso que fiquei com preguiça de procurar. Foi mal. Hehehe

    Abração!

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    1. Eita! kkkk
      Sem problema, corrigido!

      Valeu pelo comentário Joyce. É bom ter sua participação novamente no blog. Pena que vai ser breve, você me entende.

      Vou demorar um pouquinho para fazer a segunda parte, preciso desenhar e isso vai gastar o resto do tempo que eu não tenho, mas vai sair.

      Abraços!

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  2. Um dos posts mais completos que já vi sobre o assunto!
    Eu usava muito o papel Layout da Canson na faculdade, ele tem uma textura diferente do papel ofício comum, embora no começo eu achasse a mesma coisa. A mina do lápis desliza com mais facilidade. E o Layout 180g é ótimo para caneta.
    Aproveitando a dica da Joyce, é legal criar uma aba "dicas" e reunir todos esses posts, traz um retorno significativo para o blog!

    Abração! :)

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    1. Agradeço pelo comentário Lidiane!

      Engraçado você falar sobre o bloco Layout, certa vez encontrei um papel para impressão de uma marca desconhecida (que não me lembro mais) e que tinha uma textura ótima para desenho, não era nem suave, nem granulada demais e ainda era mais espesso que o comum, devia ser 90gr. Bom saber sobre o Layout Canson, vejo muita gente fazendo "pintura" com caneta esferográfica, uma hora vou testar o papel e a técnica.

      Já pensei sobre essa aba, até organizei todos os materiais que tenho e listei. Quero fazer o link com os material dos quais já fiz alguma postagem e deixar destacado os que ainda não fiz. O problema é que faltou tempo para terminar esse post/aba/página.

      Valeu Lidiane.

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Aguarde um pouco. Assim que eu ler seu comentário, ele será publicado e terei o maior prazer em respondê-lo.

Agradeço por comentar!

Um abraço e até breve.