26 de set de 2014

Canetas nanquim – Descartáveis ou recarregáveis?


A tinta nanquim (português brasileiro) ou tinta da china (português europeu) é um material corante preto originário da China. É preparada com negro-de-fumo* coloidal e empregada em desenhos, técnicas aguadas ou na escrita.
* Pó-de-sapato, fuligem ou carvão.

Desenvolvida pelos chineses há mais de 2 000 anos, é uma tinta constituída de nanopartículas de carvão suspensas em uma solução aquosa. Embora, normalmente, nanopartículas dissolvidas em um líquido se agreguem, formando micro e macro partículas que tendem a se depositar, se separando do líquido, os chineses antigos descobriram que era possível estabilizar a tinta nanquim pela mistura de uma cola (goma arábica) na solução com pó de carvão e água. Hoje, é possível entender que, ao se ligarem à superfície das nanopartículas de carvão, as moléculas de cola impedem sua agregação e, portanto, sua separação do seio do líquido.

A tinta nanquim é muito parecida com a tinta sumi, de origem japonesa para a arte sumi-ê que tem, como composição, fuligem, colas especiais (goma arábica), água e especiarias.
Fonte: Wikipedia (adaptada)

Depois de lhe economizar uma visita à Wikipedia, vamos seguir com o post.

CANETAS DESCARTÁVEIS

UniPin Fine Line

O primeiro contato que tive com tinta resistente a água (tinta indelével/nanquim) foi através da caneta UniPin Fine Line da Mitsubishi e logo no início, foi amor ao primeiro traço.
Sempre utilizei os modelos 0.05, 0.2 e 0.8 e acredito que essas espessuras são suficientes para qualquer tipo de trabalho.


Gosto muito das canetas UniPin por causa de sua escrita suave. A ponta de nylon, desliza tão bem sobre o papel que lembra as canetas esferográficas.



Existem muitos modelos de canetas com tinta resistente a água descartáveis, por exemplo a Sakura Pigma Micron, a Copic Multiliner e a Faber Castell Pitt.




Essas canetas são muito práticas, pois não fazem sujeira, durão um bom tempo e podem ser facilmente adquiridas em praticamente qualquer loja de materiais de desenho ou papelaria. Contudo este não é o detalhe mais importante, saiba que elas não entopem, vazam ou ressecam como as canetas recarregáveis e as canetas tinteiro.

CANETAS DESCARTÁVEIS - COMPARATIVO
MODELO
VALOR*
 Pelikan¹  R$ 8,00
 UniPin  R$ 9,48
 Sakura Pigma Micron  R$ 11,60
 Staedtler MarsGraphic  R$ 12,50
 Copic MultiLiner  R$ 13,50 a R$ 15,20
*Valores aproximados.

¹ - Sugestão da Joyce, conheçam o blog dela clicando aqui.

Além das canetas descartáveis que possuem traço preciso, você também pode contar com as canetas tipo “brush” ou se preferir, com ponta de pincel. Não vou falar sobre elas agora e antes que comecem a reclamar, esse item será esmiuçado nas próximas postagens sobre nanquim.

CANETAS RECARREGÁVEIS

Trident Desegraph



Meu contato com esse tipo de caneta é recente, muito recente mesmo. Isso porque se comparada à caneta descartável, o preço da caneta recarregável da Trident é muito salgado, em média R$ 45,00, já que o valor varia com a espessura de sua ponta. As mais finas chegam à casa dos R$ 47,00. Calma, apesar de ser cara, ela justifica o preço e muito bem.

Comprei uma Trident Desegraph 0.2 e estou adorando a experiência. A marca disponibiliza canetas nas espessuras de 0.1 a 0.8, 1.0, 1.2 e 2.0. Disponibiliza também manual com informações sobre a montagem da caneta, a limpeza e a recarga. Gostei da engenhosidade dessa caneta, o corpo tem uma fenda inferior em formato hexagonal que pode ser utilizada para desmontar o sistema da ponta.

Manual de uso - Frente

A embalagem em papel cartão acomoda perfeitamente a caneta e o manual. Apesar de ser feita de metal, a ponta é muito sensível, tome cuidado com ela e em hipótese alguma deixe essa caneta cair no chão. Um material de qualidade e preço tão alto como este merece mais atenção.

Manual de uso - Verso

Copic Multiliner SP



Elas custam R$ 24,90, praticamente metade do preço da Desegraph. Uma das diferenças está na recarga da caneta, realizada através da troca de refis que custam R$ 9,90. 
O corpo desta caneta é feito de alumínio fosco, resistente e leve, o da Trident é de plástico duro, contudo, facilmente quebrável.


A Multiliner é disponibilizada em diversas espessuras de traço (veja a seguir) e caso você tenha algum problema com a ponta, você pode comprá-la separadamente por R$ 9,90. 

Refil
Ponta
A ponta da Multiliner SP desliza suavemente sobre o papel, talvez até mais que as UniPin, ponto positivo para as duas. – Também já utilizei a Sakura Micron, mas achei a ponta desta caneta mais áspera, ou seja, ela não desliza tão bem sobre o papel. – O produto é caro em relação às canetas descartáveis, más foi desenvolvido para durar e é Copic, uma marca conceituada e premiada mundialmente. 

O último traço foi feito com a caneta Copic Multiliner SP BS,
ou seja, é uma caneta recarregável com ponta tipo pincel. 
Outro ponto positivo da Multiliner é a tinta, que é de excelente qualidade e tem alto poder de cobertura e o mais importante, é resistente a água como todas as tintas tipo nanquim.

Vamos voltar à Desegraph.

Pontos positivos

  • Ela é muito precisa.
  • A tinta flui sem interrupções.
  • Ainda não tive problema de entupimento de ponta. O fabricante diz que a tinta dura cerca de 4 meses dentro da caneta sem secar e ainda disponibiliza o detergente desencrustante DET-100 para limpá-la caso isso aconteça.
  • O sistema de vedação desta caneta é perfeito.
  • A carga dura mais do que imaginava ser possível, levando em conta o tamanho do reservatório, muito pequeno para o meu gosto.
  • Ela é bonita, confortável e muito prática.
  • Deve ser recarregada com tinta nanquim própria para canetas recarregáveis (elas são menos espessas que as tintas nanquim padrão).

Pontos negativos

  • Estou acostumado com a maciez da ponta das UniPin, como a Desegraph tem ponta de metal, ela arranha o papel assim como os bicos de pena. Sinceramente não gosto disso, por que se o papel for fino demais, ela pode furá-lo. Contudo, há uma solução muito simples, basta inclinar levemente a caneta para que o traço flua sem rasgos ou furos.
  • Percebi que a caneta começa a vazar pelo respiradouro depois de um tempo. Não entendia por que, então parei de utilizá-la. Mas fiquei irritado por causa disso, e resolvi voltar a usar a caneta e percebi que quando carrego ela comigo, ela vaza, quando deixo ela em casa, em um pote com a ponta voltada para cima, ela não vaza, mesmo quando utilizo ela por muito tempo.

Conclusão

Para quem viu esse post há um tempo, sabe que não estava utilizando a caneta por que ela estava vazando. Mudei a forma de utilizá-la e isso parou de acontecer. E a solução é simples: deixe a caneta onde você a utiliza com maior frequência, de preferência, com o bico virado para cima. Manter a caneta dentro da bolsa, balançando, mas sem ser utilizada, deve interferir em seu funcionamento a ponto de vazar.

Enfim, se você analisar bem, a Copic Multiliner é mais barata, mas o refil é 25% mais caro que o vidro de 20 ml de tinta nanquim da Trident, que possui cerca de seis vezes mais tinta que o refil da Copic Multiliner.

A Desegraph é mais cara, mas a recarga compensa o preço, só a portabilidade é que deixou a desejar, infelizmente. No fim das contas, apesar de ser mais em conta comprar a Desegraph, prefiro utilizar as canetas descartáveis UniPin ou as recarregáveis da COPIC. 

BICOS DE PENA

Quem gosta de nanquim, sabe qual é a emoção de utilizar uma caneta bico de pena. Gosto do som da pena arranhando o papel, mas não gosto do efeito destrutivo que isso tem. Dependendo do papel utilizado e do peso da sua mão ou do bico, é fácil furar a folha e perder um bom desenho. Gosto do cheiro da tinta e do relevo (mínimo) que ela deixa sobre o papel. Outra coisa idiota que gosto no nanquim é a sensação que tenho quando molho o bico de pena na tinta e começo a fazer os contornos (algo que remonta aos escribas europeus), más chega de enrolação.

A primeira coisa que você vai precisar é do cabo para pena de caligrafia e no mercado você vai encontrar um infinidade de modelos e preços. Os mais básicos (Keramik), são leves, duradouros e baratos, cerca de R$ 10,00.

Você pode contar com uma variedade enorme de penas para caligrafia. Para desenho você só precisa de uns cinco modelos desse enorme catálogo. Esses bicos custam cerca de R$ 7,00 a unidade. Se você não perder o bico e limpar sempre depois de utilizar, você não vai precisar comprar outro nunca mais.

Existem também os bicos de ponta arredondada e chanfrada, especiais para caligrafia. Geralmente esses bicos não podem ser comprados separadamente, apenas em kits para essa finalidade.

Os modelos que recomendo para desenho são:
  • Bico mosquito (não dê risadas) – É o bico mais fino e frágil que você vai encontrar. Ideal para fazer detalhes ultrafinos. Essa pena já vem com cabo, mas não é muito bom, dependendo da marca. Observem no fim da postagem como fiz a adaptação deste bico de pena.


  • Pena caligráfica 234 - 3 e/ou 232 - 2 - Ideal para preencher grandes áreas ou para traços mais largos.


  • Pena caligráfica 30 - Ideal para traços com variação de espessura.


  • Pena caligráfica Leonardt 41 - Ideal para traços com variação de espessura, é mais macia que a pena caligráfica 30.


  • Pena caligráfica G - Ideal para traços com variação de espessura, é a mais famosa do mercado.


Se você não gostar desses modelos, tente utilizar outras pontas, talvez, algum modelo pode lhe fornecer traços melhores ou mais indicados para seu tipo de trabalho.


Ainda não tive a oportunidade de testar o bico de pena feito com bambu. Também não testei as penas especiais para caligrafia, os modelos com ponta em formato chanfrado, círculo e largo para poster.


Você vai precisar da tinta nanquim também, como esse post ficou muito grande, isso vai ficar para a próxima postagem.

ADAPTAÇÃO - Bico de mosquito

A adaptação foi bem fácil de fazer, utilizei uma carcaça de caneta UniPin 0.2. Removi a ponta, derreti e inseri o bico mosquito. Para finalizar, moldei a ponta com massa Epoxi, a fim de deixá-la mais confortável.


Removi também a outra ponta da caneta e reinseri invertida, com isso transformei a caneta em um cabo para bicos de pena. Para o acabamento, utilizei fita isolante.


Por fim, eis a adaptação finalizada, de um lado, o bico de pena mosquito e do outro a pena caligráfica 30.


Tem uma estrutura em plástico transparente dentro da tampa da Unipin, removi essa estrutura e assim posso tampar o bico de pena para protege-lo.

Até breve.

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